o que aprendi em 11 anos de coca-cola que serve para pequeno negócio
Uma das maiores máquinas de venda do mundo funciona com coisas simples feitas com muita disciplina. Quase tudo cabe no seu negócio.

Entrei na Andina, a engarrafadora da Coca-Cola, como analista e cheguei a gerente, em trade marketing e lançamento de produto. Fiz job rotation na Coca-Cola Indústrias, em marketing e em vendas. Foram 11 anos, no Brasil, conhecendo os dois lados do negócio. Depois disso saí para empreender, e a Coca-Cola virou minha cliente. Desde então trabalhei com grandes empresas no Brasil, na América Latina e na África. Fiz a Universidade de Vendas da Coca-Cola, só nela foram mais de 600 vendedores treinados, e isso é só um exemplo. Treinei também mais de mil atendentes do McDonald's. E percebi uma coisa: muito do que eu achava "coisa de empresa grande" era, na verdade, coisa de empresa organizada. E organização não tem tamanho.
marketing de chão: quatro perguntas
O que vender, como vender, onde vender e pra quem vender. Foi na Coca-Cola que eu aprendi a responder essas quatro perguntas no chão, no ponto de venda, junto com as equipes de vendas. É o que eu chamo de marketing de chão. No pequeno negócio, elas cabem numa folha de papel, e responder com clareza já resolve metade dos problemas de venda. Explico o método completo no guia do marketing de chão.
equipe enxuta não é desculpa
Um dos maiores desafios da minha carreira, e talvez o meu maior orgulho, foi relançar a embalagem retornável de vidro no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Meta agressiva de share, pouco tempo e um time que cabia numa mesa de café: eu, um analista e uma estagiária. Funcionou. E eu aprendi ali que equipe enxuta não é desculpa, é a regra do jogo. Se você toca o negócio sozinha ou com pouca gente, você não está em desvantagem por isso. Precisa de foco e de método.
execução ganha de ideia
Empresa grande raramente vence porque teve a ideia mais genial. Vence porque executa a mesma coisa bem, em muitos lugares, todos os dias. No pequeno negócio, a tentação é trocar de ideia toda semana. Escolha poucas ações e faça bem feito até o fim.
o ponto de venda decide
Entrei na Andina como analista, na área de produtos e promoções, e cheguei a gerente. Ali, marketing acontecia no ponto de venda, junto com as equipes de vendas. Uma parte grande do meu trabalho era lançar embalagens novas pro consumo em casa. A de 1,25 litro de vidro retornável, por exemplo, ganhou 20 pontos de share já nos primeiros seis meses de vendas.
Trade marketing é, no fundo, cuidar do lugar onde a compra acontece. No seu caso, o ponto de venda pode ser o balcão, o perfil do Instagram ou a conversa no WhatsApp. Ele precisa estar arrumado, claro e com a oferta à vista.
rotina e número toda semana
Em empresa grande ninguém espera o fim do mês para saber se está vendendo. Existe uma rotina de olhar número e corrigir rota. Você não precisa de painel caro: quatro números e uma hora por semana já mudam o jogo. Mostro quais no plano comercial de 90 dias.
promoção não é desconto
Marca grande planeja o ano em cima de datas e campanhas, com objetivo e forma de medir definidos antes. Ela não acorda na véspera do Dia das Mães pensando no que fazer, e não sai dando desconto por impulso. Desconto sem estratégia vira prejuízo. Mostro a conta em promoção não é desconto.
ninguém decide sozinho
Numa empresa grande, toda decisão importante passa por conversa, dado e questionamento. Quando você empreende, decide tudo: preço, fornecedor, contratação, cliente difícil. Muitas vezes sem ter com quem trocar ideia de verdade. Falo disso em solidão de gestão.
Estou reunindo essas e outras práticas no meu livro. Conto mais em marketing grande para negócios (ainda) pequenos.